Eu me vejo hoje angustiada com os sentimentos, angustiada principalmente com o sofrimento alheio. Parece que todos tem algo a dizer, e parece que o mesmo assunto me ronda.
E isso é um martírio.
Esqueço dos meus próprios sentimentos para ter os dos outros. Queria não me preocupar tanto.
Não consigo.
E eu estou precisando explodir. Estou precisando de alguém que se preocupe comigo, e que não critique. Não diga nada, não expresse nada, só escute.
O excesso de compreensão que todos procuram em mim me machuca. E ninguém pode ver isso, pois também tem problemas.
Não sei se meu pior problema é não ter um ouvinte ou eu mesma não me ouvir.
Tenho nojo.
Desprezo meu sentimentalismo. Queria voltar a ser a pessoa que deixou de amar e se importar, depois de ter sido tão boba.
E isso é bom. Não ter sentimentos.
Ou pelo menos dizer para si que não tem.
Tentar acreditar nisso.
Eu odeio fazer alguém escutar meus conflitos. Sinto vergonha. Sinto como se tivesse chateando-a.
Eu quero não sentir, não ter nada para contar. Ser um mármore bruto. Uma pedra não esculpida. Jamais esculpida.
Não sei pra quê, para quem foi feito o amor.
Não foi para mim.
Me sinto estúpida, talvez essa seja a palavra certa.
Estúpida por pensar que alguém se importa. Ninguém.
Que entenda minha ojeriza da feminilidade só eu mesma. Não gosto de me sentir submissa, comandada, vulnerável; comum. Quero ter poder sobre meus pés, minhas ações, e mostrar que precisará ter um novo conceito para poder me entender, e tratar.
Eu só preciso focar no futuro, e esquecer do presente. Esquecer de tudo e de qualquer tipo de emoção.
Enfim, me tornarei uma rocha.
quarta-feira, 13 de junho de 2012
segunda-feira, 4 de junho de 2012
Assim como as estações... passou
É primavera, e logo mais será outono. Ainda recordo das auroras em que sentávamos debaixo das árvores, em cima de pilhas de folhas, e deixávamos o vento passar, levando consigo a brisa da primavera, e nos enlaçando em uma rede de clorofila e orvalhos.
Recordo das tardes febris, em que o calor que brotava do chão e emanava dos corpos nos afastava, dando lugar a linhas contínuas de conversas e do conhecimento da profundidade dos olhos.
Recordo das noites escuras, mas não sombrias. Não era o cobertor que nos aquecia, e sim o contato de almas. O contato de vidas. As estrelas testemunharam suas promessas e gravaram frases ditas ao luar. "Você teria sido o amor da minha vida". Teria. Não sou mais.
[Escrito para a aula de Redação do 2º ano do Ensino Médio. Conjunto ao texto, uma lembrança muito saudosa da professora Franci Franklin]
Recordo das tardes febris, em que o calor que brotava do chão e emanava dos corpos nos afastava, dando lugar a linhas contínuas de conversas e do conhecimento da profundidade dos olhos.
Recordo das noites escuras, mas não sombrias. Não era o cobertor que nos aquecia, e sim o contato de almas. O contato de vidas. As estrelas testemunharam suas promessas e gravaram frases ditas ao luar. "Você teria sido o amor da minha vida". Teria. Não sou mais.
[Escrito para a aula de Redação do 2º ano do Ensino Médio. Conjunto ao texto, uma lembrança muito saudosa da professora Franci Franklin]
domingo, 27 de maio de 2012
Tudo por causa de um portão
Não, não foi só por causa de um portão. Mas o despertar iniciou com um portão.
Começou nos primeiros anos de vida, intensificou-se com o decorrer do tempo e então, finalmente tornou-se uma ideia fixa e consistente.
E o que o portão tem a ver com isso?
Foi em uma manhã, quando olhava para o portão no final da rua e lembrava das palavras que dias passados me falaram "Estou me sentindo presa".
O tipo de frase que fica ecoando na sua cabeça. Já parou para pensar?
Imagine que você pode correr livremente... nu, pelos campos infinitos, com as árvores a acenarem desejando-lhe um bom dia, e de repente, um muro. De pedra. Um muro que acaba com sua liberdade, que tira toda sua naturalidade.
Depois de tanto processo de conscientização, e de tanta irrelevância diante do fato, parece que uma maçã caiu na minha cabeça.
Lembrei de um dia, em que acidentalmente acordei cedo demais, e aquilo me deixara irritada. E mais uma frase ressoou na minha mente. "Você devia ver". Você devia ver o nascer-do-sol. Por que não? Afinal, já já a estrela saudaria-nos com seus braços quentes e acolhedores. E por um milésimo de segundo, pude sentir a brisa da manhã incidindo diretamente nos meus poros. Nada substitui a sensação de contato com a natureza, como se você se projetasse para outro plano, onde o verde, o azul, o colorido magnífico dos seres, predominam. Toda aquela paz fora cortada por uma simples casa, apenas isso bastou para a tranquilidade voltar para o bosque a quilômetros de distância da realidade.
Uma simples e maldita casa que impedia a visão do paraíso. Os raios fúlgidos que a pátria tanto se exibe.
Parece uma informação ignóbil. Mas pense bem... é?
Não sei se foi a morte das tartarugas e tubarões, o círculo de poluição do pacífico, as diversas maneiras de reciclagem (e saber que só ajuda em parte), ou quem sabe o consumo excessivo e desenfreado que nos impossibilita de agir com lucidez. O consumo e a falta de maturidade nos aprisionam.
A claridade da situação quase chegou a me cegar, inúmeros foram os erros cometidos por nós, meras criaturas mecânicas e insensatas.
Hoje, não consigo mais me encaixar nesse cenário. Me sinto presa como todos os outros seres. Percebo o quanto a natureza está sufocada pelos prédios ao longo da avenida; o que resta da natureza. Bom seria mudar isso. Da noite para o dia. Imagino como viveríamos se nenhum avanço tivesse ocorrido, ou se ocorrido que pelo menos com respeito. Difícil criar essa cena, mas seria totalmente diferente da nossa realidade. Os Homens atuais não conseguiriam sobreviver se fossem projetados para essa época, mas se não existissem Homens atuais, seríamos apenas Homens naturais.
E a naturalidade sempre foi um desejo de muitos. E agora é o meu.
Quem sabe na próxima aurora todos acordem e deixem o sedentarismo de lado. Todos ativos mudando o planeta. Fazendo com que toda destruição se dissipe.
"Bom seria mudar isso. Da noite para o dia."
Começou nos primeiros anos de vida, intensificou-se com o decorrer do tempo e então, finalmente tornou-se uma ideia fixa e consistente.
E o que o portão tem a ver com isso?
Foi em uma manhã, quando olhava para o portão no final da rua e lembrava das palavras que dias passados me falaram "Estou me sentindo presa".
O tipo de frase que fica ecoando na sua cabeça. Já parou para pensar?
Imagine que você pode correr livremente... nu, pelos campos infinitos, com as árvores a acenarem desejando-lhe um bom dia, e de repente, um muro. De pedra. Um muro que acaba com sua liberdade, que tira toda sua naturalidade.
Depois de tanto processo de conscientização, e de tanta irrelevância diante do fato, parece que uma maçã caiu na minha cabeça.
Lembrei de um dia, em que acidentalmente acordei cedo demais, e aquilo me deixara irritada. E mais uma frase ressoou na minha mente. "Você devia ver". Você devia ver o nascer-do-sol. Por que não? Afinal, já já a estrela saudaria-nos com seus braços quentes e acolhedores. E por um milésimo de segundo, pude sentir a brisa da manhã incidindo diretamente nos meus poros. Nada substitui a sensação de contato com a natureza, como se você se projetasse para outro plano, onde o verde, o azul, o colorido magnífico dos seres, predominam. Toda aquela paz fora cortada por uma simples casa, apenas isso bastou para a tranquilidade voltar para o bosque a quilômetros de distância da realidade.
Uma simples e maldita casa que impedia a visão do paraíso. Os raios fúlgidos que a pátria tanto se exibe.
Parece uma informação ignóbil. Mas pense bem... é?
Não sei se foi a morte das tartarugas e tubarões, o círculo de poluição do pacífico, as diversas maneiras de reciclagem (e saber que só ajuda em parte), ou quem sabe o consumo excessivo e desenfreado que nos impossibilita de agir com lucidez. O consumo e a falta de maturidade nos aprisionam.
A claridade da situação quase chegou a me cegar, inúmeros foram os erros cometidos por nós, meras criaturas mecânicas e insensatas.
Hoje, não consigo mais me encaixar nesse cenário. Me sinto presa como todos os outros seres. Percebo o quanto a natureza está sufocada pelos prédios ao longo da avenida; o que resta da natureza. Bom seria mudar isso. Da noite para o dia. Imagino como viveríamos se nenhum avanço tivesse ocorrido, ou se ocorrido que pelo menos com respeito. Difícil criar essa cena, mas seria totalmente diferente da nossa realidade. Os Homens atuais não conseguiriam sobreviver se fossem projetados para essa época, mas se não existissem Homens atuais, seríamos apenas Homens naturais.
E a naturalidade sempre foi um desejo de muitos. E agora é o meu.
Quem sabe na próxima aurora todos acordem e deixem o sedentarismo de lado. Todos ativos mudando o planeta. Fazendo com que toda destruição se dissipe.
"Bom seria mudar isso. Da noite para o dia."
quinta-feira, 19 de abril de 2012
Odiado Século XXI,
Me perdoe século XXI, mas não me identifico com você.
Nunca gostei dessa sua superficialidade, dessa sua insensibilidade.
Tão frio, tão monótono.
Gosto de sentir o calor das épocas passadas, viver cada conflito, lutar por cada direito, fazer parte de uma sociedade que tem do que se recordar.
Me chame de antiquada, ou do que quiser. Não mudo minha opinião.
Século XXI, você continuará sendo para mim um perfeito inútil.
Mas seria crueldade eu te acusar de forma tão injusta. Levantemos sua defesa.
Senhor Atual, parabenizo-o pela ciência, pela liberdade, pela tecnologia e pela evolução.
A ciência é a única que continua em uma avanço considerável.
A liberdade... Bom, esta não é totalmente satisfatória. Pensamos estarmos libertos, mas somos apenas servos desses anos malditos, desses poderosos senhores de nossas mentes. A cada dia ingerimos novas drogas de persuasão e ilusão. Mal nos damos conta disso.
Tecnologia, ah, como você é contraditória. Ao mesmo tempo felicita e ingrata. Reconheço sua utilidade, menosprezo sua facilidade.
Admiro a coragem dos nossos pais e avós. Deslumbro a beleza de seus objetos materiais. Encanto com sua cultura.
Porque foi tão doloroso? Poderia ter sido suave, acompanhando a leveza de seus passos de coreografias sublimes. Mas você não perdeu a graça.
Ah, ensine ao seu filho. Como que se faz uma década, um século, um ano. Retroceda o egoísmo do homem. Restaure a natureza. Reviva os bons valores. Traga de volta os bons costumes.
É a falta dos velhos hábitos que me enche de saudade. Por um tempo que não vivi. E que tampouco vou viver. Resta as lembranças. Construída a partir de terceiros. E a esperança de um dia, quem sabe, evoluirmos de verdade. E não artificialmente.
Nunca gostei dessa sua superficialidade, dessa sua insensibilidade.
Tão frio, tão monótono.
Gosto de sentir o calor das épocas passadas, viver cada conflito, lutar por cada direito, fazer parte de uma sociedade que tem do que se recordar.
Me chame de antiquada, ou do que quiser. Não mudo minha opinião.
Século XXI, você continuará sendo para mim um perfeito inútil.
Mas seria crueldade eu te acusar de forma tão injusta. Levantemos sua defesa.
Senhor Atual, parabenizo-o pela ciência, pela liberdade, pela tecnologia e pela evolução.
A ciência é a única que continua em uma avanço considerável.
A liberdade... Bom, esta não é totalmente satisfatória. Pensamos estarmos libertos, mas somos apenas servos desses anos malditos, desses poderosos senhores de nossas mentes. A cada dia ingerimos novas drogas de persuasão e ilusão. Mal nos damos conta disso.
Tecnologia, ah, como você é contraditória. Ao mesmo tempo felicita e ingrata. Reconheço sua utilidade, menosprezo sua facilidade.
Admiro a coragem dos nossos pais e avós. Deslumbro a beleza de seus objetos materiais. Encanto com sua cultura.
Porque foi tão doloroso? Poderia ter sido suave, acompanhando a leveza de seus passos de coreografias sublimes. Mas você não perdeu a graça.
Ah, ensine ao seu filho. Como que se faz uma década, um século, um ano. Retroceda o egoísmo do homem. Restaure a natureza. Reviva os bons valores. Traga de volta os bons costumes.
É a falta dos velhos hábitos que me enche de saudade. Por um tempo que não vivi. E que tampouco vou viver. Resta as lembranças. Construída a partir de terceiros. E a esperança de um dia, quem sabe, evoluirmos de verdade. E não artificialmente.
quinta-feira, 5 de abril de 2012
Um novo começo
E como em toda criatura, ou até objeto, passamos por evoluções. Esta é a nova fase do MOIRA SINUOSA. Depois de tantos textos depressivos, creio que já chegou a hora de receber a felicidade. Será minha vida de forma crua.
Sinto informar, mas não faço parte dos padrões de normalidade.
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
Apenas a carcaça e uma trilha de estilhaços
Se me ver pela rua com as mesmas roupas, com o mesmo penteado, com a mesma expressão, com o mesmo andar e com as mesmas manias... Saiba que mudei, não por você. Mas se chegar perto poderá ver meu rosto desgastado, meus lábios pálidos e meu olhar fúnebre. E se puder ver por trás da carne, verá o vazio. Pois esse corpo que perambula meio vivo e meio morto é apenas a carcaça do que restou de mim. Os sentimentos que guardei me consumiram, e você sabia que um dia eu iria explodir e que não conseguiria restaurar minha alma. Eu não confiei em ninguém para compartilhar meus temores, eu conservei tudo numa bolha, e como toda esfera frágil e destrutível, essa camada quebrou. Talvez você ainda encontre os estilhaços pelo caminho, alguns colados na sola do meu sapato. Outros perdidos por bares e livrarias. Alguns já singrando pela corrente do esgoto. E alguns ainda presos na minha parede interna, a um passo de desprenderem-se. Mas ainda assim eu não mudei por você. Mudei por mim e por todo o peso carregado nas costas. Eu tentei ser melhor. Tentei ser melhor para mim. Como se a vida ainda tivesse um brilho distante e que não poderia escapar das minhas mãos. Ainda assim eu não sabia o que mudar, talvez eu deveria ter me aceitado. Do que adianta mudar se não sabe o propósito? Só que lá no fundo, guardado há anos eu sabia a resposta. Eu queria novamente ressuscitar aquela garotinha indefesa. E ingênua. Sabia que ela restauraria minha vida e que me faria plenamente feliz. Entretanto, ela não poderia tomar conta de mim. E teriam que conviver as duas, os dois lados da ponte. E eu sempre estaria no meio, tentando me equilibrar sem saber qual caminho percorrer e permanecer intacta com os pés cravados no chão. Então, por que eu mudaria? Para continuar morrendo? Sim, para isso. Para ter mais uma chance comigo, e não com você. Porque sei que você sempre continuou vivo, e só olhou para mim agora. Todo esse tempo fingiu que eu estava bem. Você não olhou além da carcaça, permaneceu fixo nela. E foi isso que te impediu de ver que eu havia mudado, só não sabia se para melhor ou pior. Mas eu havia mudado.
Perder. Desistir. Tentar. Ganhar.
Tento vencer a preguiça. Mas tenho preguiça de tentar.
Tento vencer o medo. Mas tenho medo de falhar.
Tento vencer a dor. Mas sinto dor ao tentar me curar.
Tento vencer o amor. E acabo por me entregar.
Tento vencer o medo. Mas tenho medo de falhar.
Tento vencer a dor. Mas sinto dor ao tentar me curar.
Tento vencer o amor. E acabo por me entregar.
Assinar:
Postagens (Atom)