É primavera, e logo mais será outono. Ainda recordo das auroras em que sentávamos debaixo das árvores, em cima de pilhas de folhas, e deixávamos o vento passar, levando consigo a brisa da primavera, e nos enlaçando em uma rede de clorofila e orvalhos.
Recordo das tardes febris, em que o calor que brotava do chão e emanava dos corpos nos afastava, dando lugar a linhas contínuas de conversas e do conhecimento da profundidade dos olhos.
Recordo das noites escuras, mas não sombrias. Não era o cobertor que nos aquecia, e sim o contato de almas. O contato de vidas. As estrelas testemunharam suas promessas e gravaram frases ditas ao luar. "Você teria sido o amor da minha vida". Teria. Não sou mais.
[Escrito para a aula de Redação do 2º ano do Ensino Médio. Conjunto ao texto, uma lembrança muito saudosa da professora Franci Franklin]
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